Boa tarde, pessoal!
Sei que faz muuuuito tempo que não apareço com dicas, mas minha leitura anda a mil - meio que abandonei temporariamente o que costumava gostar de ler para me abrir às sugestões do meu namorado, que tem um gosto mais que maravilhoso para a leitura. Então deixo com vocês uma sugestão dele e que recomendo super, mesmo tendo o nariz um pouco torcido hahahah (Já explico o porquê!)
Sei que faz muuuuito tempo que não apareço com dicas, mas minha leitura anda a mil - meio que abandonei temporariamente o que costumava gostar de ler para me abrir às sugestões do meu namorado, que tem um gosto mais que maravilhoso para a leitura. Então deixo com vocês uma sugestão dele e que recomendo super, mesmo tendo o nariz um pouco torcido hahahah (Já explico o porquê!)
O livro conta a história de Sumire, uma jovem de 22 anos que se apaixona
pela primeira vez. Uma paixão avassaladora que tem como alvo Miu, uma
mulher casada e 17 anos mais velha. Mas, enquanto Miu é uma mulher
glamourosa e bem-sucedida negociante de vinhos, Sumire é uma aspirante a
escritora que se veste e se comporta como um personagem de Jack Kerouc
mas que, em nome do desejo, é obrigada a dar outro rumo a sua
trajetória.
Confiram a resenha [blog Resumo da Ópera]:
“Ali
estava eu, em uma pequena ilha grega, partilhando uma refeição com uma bela
mulher, mais velha, que eu conhecera no dia anterior. Essa mulher amava Sumire.
Mas não sentia nenhum desejo sexual por ela. Sumire amava essa mulher e a
desejava. Eu amava Sumire e sentia desejo sexual por ela. Sumire gostava de
mim, mas não me amava, e não sentia nenhum desejo por mim. Eu sentia desejo
sexual por uma mulher que permanecerá anônima. Mas não a amava. Era tudo tão
complicado, como algo em uma peça existencial. Tudo acabava em um impasse, não
restava nenhuma alternativa”.
(página
137)
K. é
o narrador da história. Professor primário, nunca teve grandes aspirações na
vida, e o acaso naturalmente o levou para essa profissão. Cheio de dúvidas
existenciais, a única pessoa com quem consegue se abrir é Sumire, a garota
estranha que conheceu na faculdade e por quem nutre um amor não-correspondido.
Embora tenham visões de mundo diferentes, o vício de leitura os une. A rejeição
de Sumire faz com que K. desenvolva o hábito de se envolver com muitas
mulheres, sem se apegar a nenhuma.
Sumire
é uma jovem de 22 anos que usa cabelos despenteados e roupas de tamanho muito
maior que seu manequim. Seu grande objetivo na vida é ser escritora e, para ter
mais tempo para se dedicar à escrita e realizar seu sonho, abandona a
faculdade. Embora produza em abundância, não consegue definir o que é essencial
e o que é supérfluo, e acaba criando muitas histórias com ótimos começos e fins
espetaculares, mas nunca as duas coisas ao mesmo tempo. Tem em K. seu melhor
amigo e a única pessoa a quem confia seus manuscritos, mas infelizmente não
sente atração por ele. Sua falta de experiência de mundo, que a impede de ser
uma grande escritora, parece finalmente ter chegado ao fim quando ela conhece
Miu e se apaixona pela primeira vez.
Miu
é uma empresária bem-sucedida, casada, 17 anos mais velha que Sumire. Elas se
conhecem na festa de casamento do primo de Sumire e imediatamente se dão bem. É
ela quem oferece um emprego formal de secretária a Sumire, pois mesmo sem saber
muito a respeito da garota, vê nela um potencial a ser explorado. A paixão por
música clássica, em especialmente pelo piano, é o que aproxima as personagens,
mas é a admiração de Sumire pelos escritores beatniks e a pouca informação de
Miu sobre tal geração literária que transforma essa última na “Querida Sputnik”
de Sumire.
À primeira
vista, parece um romance comum envolvendo um triângulo amoroso, mas o livro
surpreende ao transformar a história em um suspense policial e ao mudar de gênero
novamente mais para o final e inserir toques sobrenaturais. Os personagens são
muito peculiares e diferentes entre si. Apesar disso, todos têm um passado de
perdas e desilusões e uma nuvem de melancolia paira constantemente sobre eles.
A tristeza e a sensação de não-pertencimento estão presentes o tempo todo,
mesmo quando o autor descreve as paisagens paradisíacas das ilhas gregas ou a
beleza das vinícolas e concertos europeus. Com uma narrativa ricamente detalhada,
que nos arrasta para dentro da trama enquanto lemos, e uma história envolvente,
a leitura flui sem dificuldade.
Eu particularmente adorei o livro até perto do final, que foi quando o elemento sobrenatural, fantástico e inexplicável apareceu. Sou até boa para imaginar as coisas, mas o autor tem a sua intenção clara de só jogar as informações e deixar a gente pensar, pensar e pensar mil vezes para entender o que se passou - e mesmo assim pode ser que não se entenda. As metáforas estão presentes o tempo todo, de maneira mais leve no início e se aprofundando no decorrer da leitura.
Mas, mesmo assim, eu adorei por conta das personagens cativantes, tão diferentes e mesmo assim ligadas por algum elo invisível da história. Recomendo! :)





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