Oieeeeeeeee =)
A notícia é velha, mas acho que nunca cheguei a compartilhar com vocês a entrevista que dei para o jornal Diário da Franca ~de domingo~ ~na capa~ ~uma folha inteira~, então deixo-lhes o link para vocês conferirem on-line ;)
http://www.diariodafranca.com.br/conteudo/noticia.php?noticia=59178&categoria=11
‘É muito difícil ser escritora no Brasil, no interior pior ainda’
Com dois livros publicados, a jovem escritora Isabella Branquinho conta os desafios de criar histórias no interior
27/09/2015 -Uma paixão cultivada desde a infância que se transforma, agora, em profissão. A jovem Isabella Branquinho, 20, conta suas inspirações, dificuldades e ambições que a acompanham no caminho para ser uma escritora de sucesso.
Dedicada a contar histórias desde os 13 anos, Isabella publicou seu primeiro romance de forma independente em 2013, aos 18. “Ele foi independente, sem editora. Eu corro atrás de divulgação, participo de eventos”, diz ela.
Dois anos depois, ela agora lançou seu segundo título, “O estranho”, desta vez com o apoio de uma editora. Ainda assim, Isabella diz que o sonho de uma carreira estabilizada como escritora ainda está longe de ser uma realidade. Confira abaixo:
Diario da Franca – Isabella, qual foi seu primeiro contato com a literatura?
Isabella Branquinho - Não sei exatamente a partir de quantos anos, mas desde que eu era muito pequena, meus pais me incentivavam. Tanto que a partir de certa idade, eu só pedia livros de natal. Não queria bonecas, não queria carrinhos, queria livros. Meu pai comprava muito gibi, também. Fiquei apaixonada pela literatura. Com oito anos, ganhei um concurso de redação do Magazine Luiza, tema era "Dez passos para um mundo melhor". Então ganhei, fiquei feliz, o prêmio era R$ 100 em brinquedos (risos). Hoje em dia não dá pra comprar nem uma boneca com 100 reais. A partir disso, comecei a me envolver de verdade, continuei escrevendo até conseguir publicar.
DF – E o que te inspira a escrever?
Isabella - Tudo! Eu posso estar aqui parada, aí vejo uma situação e começo a imaginar um monte de coisas. Desde criança, eu tenho problemas para dormir, não consigo deitar e dormir direto. Então eu fico fazendo histórias na minha cabeça para conseguir dormir. Delas saíram as histórias que já publiquei.
DF – Sobre o que se trata seus dois títulos já lançados?
Isabella – “Quando a morte se aproxima” é um romance que conta a história de Blanka, uma jovem fixada que descobre que tem uma doença e se encontra em estágio terminal. Ela acaba se apaixonando por seu médico, Victor, mas só tem 3 semanas de vida... Eu escrevi ele aos 13 anos, na verdade era uma fanfic (história criadas com personagens de outras obras) de Crepúsculo. Adaptei a história, mudei os nomes para publicar. Já “O estranho” conta a história de Anita, que é salva por um garoto misterioso durante uma briga com o namorado. Qual o mistério? O garoto desaparece no ar e deixa somente um nome: Gabriel Garcia.
DF – Como surgiu a oportunidade de publicar suas histórias?
Isabella - Meu primeiro livro foi independente, não teve nenhum apoio de editora de livros, paguei a impressão. Uma artista plástica daqui de Franca, a Sandra Freitas, ela fez a capa com as impressões dela sobre o livro. Meu pai diagramou o livro e imprimimos na gráfica. Eu que corro atrás de divulgação, de participar de eventos. É cansativo! Para escrever eu falo que é a parte mais fácil, sai naturalmente. Foi difícil fazer acontecer! Coloquei na Amazon (site de vendas online) primeiro, consegui vender alguns exemplares. Foi disso que meu pai disse e falou: “Vamos te publicar.” Ele me deu a publicação e minha mãe me deu a noite de lançamento do livro e a capa, que foi um quadro. Os dois disseram: “É um presente pra você, agora faça acontecer.” Então tenho que buscar parcerias com blogs literários, negociar, participar de feiras...
DF – Seu segundo livro, “O estranho”, já foi publicado com a parceria de uma editora. Como aconteceu este contato?
Isabella - Depois de lançar meu primeiro livro, percebi que queria uma editora, então fiz o que todo mundo faz: peguei meu original e enviei para elas. Recebi algumas respostas, mas as editoras grandes querem de R$ 15 mil a mais para publicar seu livro. Vale a pena? Vale a pena, mas é algo que sai do meu mundo. Mas aí conheci a Selo Jovem, que gostou do meu original e quiseram fazer uma parceria. Fechei um contrato de dois anos com eles. É uma editora de Ribeirão Preto, mas está expandindo. Ela investe bastante em escritor nacional, em publicação, divulgação... No site deles, por exemplo, tem um ranking dos livros mais vendidos na última semana, o que abre oportunidade aos novos escritores. Estou gostando muito!
DF – Para você, o papel da internet dentro do mercado de livros é positivo ou negativo?
Isabella - É muito positivo! Eu sempre procuro na internet para ver o que aparece sobre os livros. Aparecem as parcerias com blogs que fiz sobre “Quando a morte se aproxima”, mas sobre “O estranho” todo dia tem coisa nova, que eu nem sabia! A internet é fantástica, porque é uma ferramenta que serve não só para integrar os leitores aos escritores, mas também para divulgar o nosso trabalho. Em um futuro, será o modo de leitura mais comum.
DF – Seus livros foram influenciados por suas preferências na adolescência. Para quem você escreve suas histórias?
Isabella - Meu público são jovens adultos. Não tenho como comparar meu livro a outros como "MazeRunner", "Jogos Vorazes", mas eu gosto desse tipo de literatura, então eu sigo essa linha (em "O Estranho"). É isso o que eu gosto de fazer, mas tenho ideias para outros. Quero trabalhar com distopia, ficção científica. Poesia também, mas para mim é mais difícil. Eu adoro poesia moderna, mas não consigo escrever. Pra mim tem que ser sonetos decassílabos com sílabas emparelhadas! Então, de vez em quando, se estou muito inspirada, sai alguma coisa. Inclusive uma poesia minha foi selecionada para uma antologia de poesias paulistas da Nova Chiado, de Portugal.
DF – Como é ser uma jovem escritora do interior paulista?
Isabella - É muito difícil ser escritora no Brasil, no interior pior ainda. Mas isso está mudando... Quando eu lia bastante, quase nunca pegava livro nacional recente. Hoje em dia é mais natural, estão equiparando os estrangeiros com os nacionais. As escritoras grandes também estão visando os escritores nacionais. Também concilio a escrita com o Direito, estou no 3º ano. É um curso aberto, com muitas opções de trabalho. Não tenho a pretensão de ganhar muito, o que quero é viver bem para continuar a escrever. Bom, a ideia é terminar os outros dois livros da trilogia de “O Estranho” e depois dar uma pausa. Quero traduzir logo meus livros para o inglês e espanhol.




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